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Objetivos institucionais e a filosofia de trabalho dos Institutos Federais de Educação
Quais são os objetivos dos Institutos federais de educação? É possível que estudemos ou trabalhemos muito tempo em um Instituto Federal e não conheçamos a essência dessas instituições. Há evidências disso na lei de criação dos institutos, no Regimento, no Estatuto, PDI do IFPR. Entretanto será apresentado uma síntese de trabalho Fundamentos Político Pedagógicos dos Institutos Federais: Diretrizes para uma Educação Profissional e Tecnológica Transformadora, de Elizer Pacheco, o que transcende os documentos citados, por apresentar a filosofia dos Institutos Federais (de forma sintetizada) e, por conseguinte, do IFPR.
Os Institutos Federais são um marco na educação brasileira. Ao todo são 38 institutos, com 400 campi (dados de 2015) espalhados pelo território nacional, sendo 50% das vagas dedicadas ao ensino médio, 20% à licenciatura e graduações tecnológicas, podendo ter a verticalização do ensino, oferecendo, ainda, mestrado e doutorado voltados a inovação tecnológica.
Essa organização verticalizada possibilita aos diferentes níveis de ensino compartilhar os espaços de aprendizagem, incluindo os alunos de ensino médio na perspectiva da pesquisa científica.
Esse horizonte científico abarca também os arranjos produtivos locais, uma vez que busca entender e oferecer soluções locais para o desenvolvimento da região, tudo aliado a pesquisa e extensão. É importante ressaltar a importância do entrelaçamento entre os diferentes níveis de formação _ ensino, pesquisa e extensão, _ a realidades locais e às políticas públicas, sobretudo num país como o Brasil. Tal configuração, Além de possibilitar a melhoria na vida das pessoas diretamente envolvidas no processo educativo, promove a melhoria de muitas outras que sequer conhecem os Institutos Federais. Entendemos que as organizações que conhecem a realidade local podem mais bem direcionar os objetivos de sua pesquisa para problemas regionalizados.
Some-se ao exposto no parágrafo acima a ideia de que os Institutos Federais, alinhados às realidades locais, contribuem para o desenvolvimento econômico de suas regiões, uma vez que podem potencializar determinadas aptidões inerentes ao arranjo produtivo local. Além disso, com o uso da ciência, novas aptidões regionais podem ser descobertas e, muitas vezes, até o que era desconhecido passa a ser uma solução econômica e social viável.
Nesse sentido, a formação objetiva não é aquela voltada para o mercado, mas sim uma formação humana que forme o ser humano a partir do trabalho e do seu significado para a vida. Portanto, a concepção de educação profissional na sua orientação pedagógica deve recusar o conhecimento exclusivamente enciclopédico, assentando-se no pensamento analítico, buscando uma formação profissional mais abrangente e flexível, com menos ênfase na formação para ofícios e mais na compreensão do mundo do trabalho e em uma participação qualitativamente superior nele. A formação não deve, pois, ter um viés tecnicista (ensinar para o mercado) e nem propedêutica (preparar para exames).
Evidentemente, ao se pensar em desenvolvimento social e econômico regional e em formação do sujeito, não se pode deixar de mencionar a transversalidade e a verticalização. A transversalidade traz em sua concepção a necessidade de o sujeito saber relacionar as diversas áreas, disciplinas e conhecimentos com o problema de pesquisa, amarrando assim o ensino e à pesquisa. Nesse sentido também atua a extensão, pois é o laço que amarra a comunidade à academia e o sujeito à comunidade, tornando essas relações simbióticas benéfica a todos e de longo prazo.
A verticalização, educação em diversos níveis do ensino médio ao doutorado, além dos diversos benefícios que pode trazer à comunidade e ao estudante (proporcionando diversos itinerários de formação) é estratégica do ponto de vista da ciência, uma vez que as diversas soluções regionais de pesquisa podem potencialmente ser usadas para o desenvolvimento de pesquisa como um todo, principalmente quando se trata de um país com a diversidade que tem o Brasil.
Todos esses conceitos até agora trabalhados só fazem sentido se tomarmos os Institutos Federais como instituições autônomas e não como autômatos de um poder central. As atividades de controle são importantes para o monitoramento das políticas públicas (das quais também fazem parte o IFPR), porém é preciso que se mantenha a autonomia para que a própria instituição, professores e estudantes possam buscar o apuro de suas pesquisas. Haverá reflexos também em suas práticas educativas se a escola puder conservar sua autonomia.
Por fim, não se deve pensar nos Institutos federais como universidades. Os Institutos oferecem cursos de graduação, porém essa modalidade está entrelaçada aos diversos níveis de ensino, à formação do estudante e à relação simbiótica entre as modalidades de ensino, estudante e comunidade. E também de forma equivalente está a autonomia. Portanto, não há razão para se defender a autonomia, a pesquisa e a verticalização se não se buscar a inserção dos institutos na vida das comunidades. Conhecer os Institutos significa direcionar os esforços individuais de estudantes, trabalhadores em educação e gestores para o propósito transformador ao qual o IFPR se propõe.
Acesse também os materiais complementares:
Fundamentos Político Pedagógicos
dos Institutos Federais
Lei de criação dos
Institutos Federais
Estatuto do IFPR
Regimento Geral do IFPR
PDI IFPR
IN 01/2016 CGU/MP
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